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Quem manda na Federal -
Coluna Carlos Brickmann
Coluna de domingo, 16
de novembro
A grande disputa no Governo, hoje, é saber quem vai mandar
na Polícia Federal. Existem várias alas, que se enfrentam (só a Operação Satiagraha está rendendo três inquéritos, o do delegado Protógenes, o do delegado Ricardo Saadi
e a do delegado Amaro Vieira, que investiga a investigação do delegado Protógenes); e dizem até que uma outra ala obedece mais a
orientação do governador paulista José Serra, que é tucano e de oposição, do
que ao próprio Governo. Há alas que trabalham ostensivamente contra pessoas
próximas ao presidente Lula: aquela, por exemplo, que tentou imputar a Vavá Dois Pau (irmão do presidente, autor da clássica frase
“arruma dois pau pra eu”) a prática de advocacia administrativa; e a que tenta
constranger o ex-presidente José Sarney, aliado preferencial do Planalto,
atingindo as empresas de sua família e investigando seu filho Fernando.
É aí que reside a disputa: Sarney,
falando também em nome de seu partido, o PMDB, essencial para que Lula tenha
maioria no Congresso, exige o comando da Polícia Federal. Nem precisa ser o
Ministério da Justiça inteiro (se bem que o partido adoraria recebê-lo). A
Polícia Federal satisfaria o apetite do PMDB.
Para o PMDB, comando significa comando. Pode até haver
crises, mas o objetivo do partido é ter uma Polícia Federal sem alas
conflitantes. Se alguém quiser pensar diferente, sem problemas; o que não pode
é agir. Significa também que a amplitude de ação dada hoje aos federais será um
pouco limitada. Investigar os outros, OK; mas que deixe família e amigos de
Lula e o PMDB de fora.
Quem manda
Esta é uma pergunta excelente: na greve dos policiais civis
do Estado, que durou 58 dias, quem falou pelo Governo paulista não foi o
secretário da Segurança, mas o secretário de Gestão, Sidney Beraldo.
No caso do sequestro e assassínio da menina Eloá,
Isto é que é ser tucano: o secretário não é visto nem em
cima do muro.
Paulinho, numa boa
Lembra do deputado Paulinho da Força, do PDT paulista?
Aquele, acusado de desviar recursos do BNDES? Pois bem: Paulinho foi
encaminhado ao Conselho de Ética da Câmara Federal, e o processo está em
repouso desde junho. O relator promete apresentar seu voto em 15 de dezembro,
uma segunda-feira (como dizia aquele famoso programa de TV, “Acredite se
Quiser”). O Conselho aí terá cinco sessões para apreciá-lo, o que significa que
tudo fica para o ano que vem.
Serviço público
Experimente: o telefone do telegrama fonado
mudou de 0800 57 00 100 para 3003-0100. Como ninguém sabe disso, continua
ligando para o 0800. Lá, em vez de informarem que o número agora é outro, dizem
que “o número discado não corresponde a um número de serviço ativo”. Ou seja,
não existe. E não contam para ninguém qual é o número
novo. Você liga então para o 102, Informações, e eles informam que não sabem
informar. Um leitor desta coluna reclamou ao Correio. Mas – é Brasil! – a
grande empresa estatal de comunicações não respondeu.
Ulalá!
O Ministério do Desenvolvimento Agrário promove no Rio, na
Marina da Glória, entre 26 e 30 de novembro, a 5ª Feira da Agricultura Familiar
e Reforma Agrária. Principal atração da feira federal: a Praça da Cachaça, onde
podem ser provadas (e compradas) cachaças de Minas, Espírito Santo, Bahia,
Ceará, Goiás, Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina, Paraná. O antigo
correspondente do The New York Times, Larry Rohter, perde uma excelente
reportagem.
Festa do Direito
O Tribunal de Justiça de São Paulo entrega amanhã o Colar do
Mérito Judiciário a dois ministros do Supremo, Carlos Ayres Britto e Ellen Gracie, e ao advogado criminalista (e ex-secretário da
Justiça e da Segurança) Antônio Cláudio Mariz de
Oliveira. É o reconhecimento pelos bons trabalhos na área do Direito.
Respire com cuidado
A Petrobras, associada à indústria automobilística,
conseguiu manter por mais quatro anos a produção de um óleo diesel cheio de
impurezas, um dos mais poluentes do mundo. A Petrobras produz dois tipos de
diesel: o S-2000 (com duas mil partes de enxofre por milhão), vendido na maior
parte do país e o S-500 (com 500 partes de enxofre por milhão), para as regiões
metropolitanas. Se havia problemas técnicos para produzir imediatamente um
diesel melhor (50 partes de enxofre por milhão), por que não suspender o S-2000
e ficar só com o S-500?
De cocheira
Uma fábrica de automóveis importava da Argentina um carro
com motor diesel. Parou de trazê-lo. Motivo: o diesel brasileiro é tão impuro
que danificava componentes do motor, fazendo com que a empresa gastasse tanto
na garantia que a venda não dava lucro. Este é o diesel que a gente respira.
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