WE ARE THE WORLD

 

Ao ouvir a última versão da música “We are the World”, viajei.

É uma canção maravilhosa e sempre aparece como uma ode de amor aos mais necessitados, com claros sinais de esperança para a humanidade tão desagregada. Não tanto pelos terremotos, mas pelas mazelas humanas, difíceis de prever.

Em sua última versão, com o objetivo de angariar recursos para as vítimas do terremoto do Haiti, apesar da aparição espiritual do Michael Jackson, teve interpretações magníficas.

Bem! Nenhuma novidade, pois o famoso fantasma costuma aparecer na casa onde morou, de acordo com umas mensagens que recebidas e reportagens de um programa de televisivo.

Viajando sem sair do lugar, pensei em uma versão brasileira, com cantores verdadeiramente brasileiros, daqueles que nos emocionam por muitos anos e, tomara, por muitos mais.

A letra deveria ser feita pelo Chico Buarque. Seria um poema maravilhoso, se lhe assistirem com um uísque de boa qualidade. No mínimo, um de quinze anos. Assim, sai poesia pra mais de século.

A música deveria ter uma nova roupagem arranjada pelo César Camargo Mariano. Isso daria para emocionar as pessoas por mais outro século.

E quais cantores deveriam interpretar a obra prima?

Milton Nascimento não deveria ser convidado. Deveria ser intimado sob pena de prisão, caso não aparecesse.

Fafá de Belém também teria lugar de destaque, mas, antes, deveria receber um banho de sal grosso, para evitar seus maus fluídos, segundo as más línguas. Senão, poderia ocorrer outro terremoto no Haiti, com mais 300.0000 vítimas.

Maria Rita é imprescindível, mas todo mundo fingiria que não está nem aí com o fato de ela ser filha da Elis.

A família Caymmi deveria vir em peso, mas cada um em um elevador, para evitar excesso no transporte vertical.

Assis Brasil debulharia no piano, acompanhado do Toquinho no violão, inaugurando uma ala do Museu da Imagem e do Som.

Caberia, sim, um momento de percussão com a Timbalada, preferencialmente, no ritmo do coração.

Pena que não dá para ressuscitar o Agostinho dos Santos...

Mas, aí, a Rede Globo resolveria fazer uma gravação paralela e mudaria tudo.

Começaria com a Xuxa, fazendo uma declaração de amor aos baixinhos do Haiti.

Willian Bonner e sua esposa Fátima, elogiando a rainha dos baixinhos, demonstrariam a importância do evento, perguntando ao Renato Aragão, ao vivo, com aquela defasagem de tempo de resposta, se a iniciativa é semelhante à campanha Criança Esperança.

Ele responderia: - Com certeza, Fátima. É emocionante ver tantos artistas se doando para um ideal tão maravilhoso.

Depois, entraria o Roberto Carlos, na parte que diz: We ãre the Wõrld.

Chitãzinho e Xororó cantariam a segunda parte, com efeitos visuais e sonoros, como, por exemplo, o Galvão Bueno, acendendo e apagando, e gritando “É do Brasil”, ou melhor, “É do Haiti”!

Em seguida, apareceria um monte de meninos vestidos com as camisas dos times de futebol do Rio de janeiro, correndo atrás do Adriano. Não há razão para nada disso, mas os flamenguistas iriam às lágrimas.

Também haveria um trecho religioso declamado pelo Cid Moreira, com aquela tradicional voz de locutor de montanha russa em filme de terror.

E tudo terminaria com os heróis do Pedro Bial, dando gritinhos de u-hu. Tudo de acordo com o padrão de qualidade!

Por isso, nas noites em que só resta a televisão para ver, eu prefiro tomar injeção, tirar cutícula, arrumar armário, beber suco em pó, ouvir a Voz do Brasil etc.

Mas escutando boas músicas, como a última versão de “We are the World”.

 

Sérgio Antunes de Freitas

7 de Março de 2010